22 novembro 2019

E depois do Monge o que fica? - By Jaquelina da Cunha Moreira


E depois do Monge o que fica?

Book Review do Livro “ O Monge que vendeu o seu Ferrari” 


“Desfruta dos momentos especiais que cada dia te oferece, porque hoje, este dia de hoje, é tudo o que tens”(Sharma, 2015, p.185).


             Robin Sharma é atualmente um dos maiores nomes da cultura de gestão e desenvolvimento pessoal nos EUA, com 15 milhões de livros vendidos traduzidos em mais de 70 idiomas. Reconhecido pelos seus livros de auto ajuda que abordam uma filosofia comportamental e motivacional que nos leva a querer menos e a viver mais, o autor canadiano e advogado de profissão, decidiu aos 25 anos abandonar o direito e dedicar-se à escrita, construindo uma mensagem que percorre o mundo com milhões de seguidores que o acompanham em tudo o que escreve. Autor de vários best-sellers como “O Líder Sem Título” (2010) e mais recentemente “O Clube Das 5 Da Manhã” (2018), Robin Sharma, é também reconhecido pelas suas palestras e pela partilha das suas mensagens junto de diversas empresas reconhecidas internacionalmente onde pratica a formação motivacional e liderança no seio das organizações.


 Fonte: Google (2019).



            O livro “O Monge Que Vendeu o Seu Ferrari” conta a história de Julian Mantle, um advogado de sucesso obcecado pelo trabalho, habituado a ter tudo o que os sonhos desejam. Um dia, em pleno tribunal, sofre um ataque cardíaco e decide mudar de vida. É uma história simples com um conteúdo profundo,  narrada pelo amigo John, que três anos depois recebe a visita de um  Julian que não reconhece. Era outra pessoa, por dentro e por fora. Julian vendera tudo, inclusive o Ferrari vermelho, “o seu maior troféu” e fora para a Índia descobrir-se a si mesmo, aprender a usufruir de uma vida mais gratificante e leve. Durante esse período, ganha a capacidade de desfrutar dos pequenos prazeres da vida, descobre que o fracasso é um caminho para o crescimento interior,  que as lições de vida são diárias e que o passado deve ser aceite como grande mestre que é. Durante a sua jornada, nos Himalaias, encontra os grandes Sábios de Sivana que partilham com ele ensinamentos para atingir uma sabedoria e  vida superior. Em troca desta aprendizagem, Julian, terá no seu mundo ocidental de transmitir toda a filosofia do Sistema Sivana e seus benefícios a quem mais precise. E essa pessoa é John. Com uma vida acomodada, estéril e sem motivação, aceita o desafio do seu parceiro de anos para atingir níveis superiores de autoliderança e de transformação interior com as 7 virtudes do Sistema Sivana que são explicadas ao longo do livro que permitirão atingir a elevação espiritual e a paz interior.

Assim temos:

Jardim: cultive a sua mente pois ao controlar os seus pensamentos controlará o seu destino.  “A gestão da mente é a gestão da vida."

Farol: tenha objetivos bem definidos, saiba onde está e onde quer chegar. Pratique o autoconhecimento. “Segue a tua missão."

Lutador de Sumo: procure sempre ir mais além, escolha a melhoria constante e aperfeiçoe os seus conhecimentos diariamente. “Praticar o Kaizen."

Cabo cor de rosa: desenvolva a autodisciplina pois será fundamental para enfrentar os desafios com tenacidade e resolver os obstáculos que atravessam o seu caminho, nada o vai derrubar, acredite. “Corre contra ti próprio."

Cronómetro:  Seja criativo e organize o seu tempo em função das  suas prioridades e do que realmente valoriza, terá tempo para tudo. “Respeita o teu tempo."

Rosas: quanto mais melhorar a vida dos outros melhor será a sua vida também. “Serve os outros altruísticamente.”

Diamante: a vida é agora e aproveite-a em pleno. “Vive no presente."




E depois do Monge o que fica?


  • ü  Ficam as sete virtudes a reter que se devem aplicar na vida para se conseguir atingir um patamar superior de autoconhecimento  e de autoliderança.

  • ü  Ficam conteúdos do livro que se interligam com a unidade curricular, nomeadamente a autoliderança e a inteligência emocional:

·      Autoliderança: Segundo Kusdinar & Haholongan (2019) as decisões de autoliderança residem no talento do indivíduo ser responsável pelas escolhas feitas que levam à adoção de comportamentos e sentimentos que o influenciam, bem como quem o rodeia, de forma voluntária, tornando- o um modelo a seguir. Tal como Robin Sharma sublinha no seu livro “terás todas as informações e estratégias de que necessitas para alterar profundamente a qualidade da tua vida e das vidas de todas as pessoas que encontrares. E quando aplicares esta sabedoria no teu dia-a-dia, mudarás: mental, emocional, física e espiritualmente."

·   Inteligência emocional: claramente abordado ao longo do livro em análise. e de acordo com Serrat (2017), a inteligência emocional está associada à gestão de emoções e à capacidade de atingir maiores resultados em benefício próprio e no envolvimento com os outros. Interliga a autoconsciência, a auto regulação, a auto motivação, a consciência social e as habilidades sociais, permitindo uma gestão emocional entre o que se faz e o propósito que se pretende atingir no cumprimento de objetivos.

  • ü  Ficam as mensagens que o autor vai reforçando ao longo do livro com o recurso à citação de frases de outros autores mundialmente conhecidos que sublinham e aumentam o poder das palavras escritas, permitindo a quem lê intensificar a relação com o livro e torná-lo mais profundo.

  • ü  Ficam as dicas que nos fazem pensar como atingir mais olhando para dentro e a importância de reconhecer que é dentro de nós que reside a mudança e a capacidade de ir mais longe. Ficam as vontades e a capacidade de escolher sabiamente os objetivos a atingir. Fica tudo.

  • ü  Fica também o sentimento de que o livro seria mais interessante se tivesse um outro título pois é merecedor de um nome mais envolvente e com maior significado. Considerado pela opinião pública como um livro de auto ajuda o que lhe dá uma conotação pré- concebida, logo de imediato, para aqueles livros que não queremos ler na rua por parecer que estamos mesmo a precisar de ajuda.


        Na minha opinião, vou mais longe, é um livro para ler no café, no metro e levar no coração. Que nos lembra quem somos, onde estamos e para onde queremos ir, em qualquer lugar do mundo. É  livro para guardar pois os seus conteúdos devem ser lidos e relidos a vida toda, uma vez que, são desenhados a nosso favor. Na realidade, todas as orientações, mudanças de comportamento e chamadas de atenção reportam-nos, ao longo do livro, para o nosso interior, relembrando sempre que em última instância, a decisão é nossa e o caminho será sempre aquele que escolhermos.  Recheado de estratégias promovendo o autoconhecimento, a autodisciplina, a definição de prioridades e objetivos para que seja possível viver uma vida com sentido e se consiga atingir a paz interior e a realização pessoal. Li este livro durante a minha viagem ao Nepal, em 2016, em plena montanha, a caminho da Base Camp do Annapurnna, a 4130m de altitude. Sublinhei cada palavra importante, segui cada ensinamento que faria de mim melhor pessoa, guardei na memória todas as palavras com significado e fiz o que o Julian pediu: partilhei, a quem poderia beneficiar, a história deste livro. Obrigada Robin.



Referência Bibliográfica

Kusdinar, D., & Haholongan, R. (2019). The Influence of Self Leadership on Innovative Behavior, 74(AICMaR 2018), 97–100. https://doi.org/10.2991/aicmar-18.2019.22
Serrat, O. (2017). Knowledge Solutions: Tools, Methods, and Approaches to Drive Organizational Performance. Knowledge Solutions: Tools, Methods, and Approaches to Drive Organizational Performance, 1–1140. https://doi.org/10.1007/978-981-10-0983-9
Sharma, R. (2015). O Monge Que Vendeu o Seu Ferrari. Lisboa: Pergaminho.






Autoria: Jaquelina da Cunha Moreira
Sobre mim: Aluna de Mestrado em Gestão de Marketing no IPAM, sou apaixonada por livros e viagens desde que me lembro. Valorizo o conhecimento e o crescimento pessoal, percebendo que há sempre espaço para se fazer mais e melhor. Sou uma pessoa positiva, focada, organizada e valorizo o trabalho em equipa.



Citação:
Moreira, J. (2019).  E depois do Monge o que fica? -Book Review. Research oriented by PhD Patrícia Araújo within “ Leadership and Negotiation” Curricular Unit and Presented at Ipam Leadership Challenge. 4ºEd. Porto: Portuguese Institute of Marketing And Administration. 
Available at: https://ipamleadershipchallenge.blogspot.com/2019/11/e-depois-do-monge-o-que-fica-book.html





A inspiradora conquista de um líder - Pensar como Churchill by Ana Magalhães


Resenha crítica ao livro de Daniel Smith “pensar como Churchill”

A presente Resenha Crítica foi efetuada para a Unidade Curricular de Liderança e Negociação, com o intuito de ler e analisar um livro que caracterizasse conceitos de liderança.
Foi lido o livro: Pensar como Churchill – Biografia inspiradora de um dos maiores estadistas e estrategas do século XX, escrito pelo autor Daniel Smith, por se pretender, à luz deste trabalho, ler uma biografia de um líder. Churchill pareceu ser o mais indicado para corresponder ao pretendido.
O autor Daniel Smith permitiu a compreensão do pensamento que advinha situações críticas de crise que Inglaterra defrontou. O livro permite uma análise de traços de personalidade, ideias, crenças e principais influências que determinaram ações de Churchill, que por sua vez ajudaram à definição da visão do mundo.

Quem foi Winston Churchill?

Churchill nasceu a 30 de novembro de 1874 no Palácio de Blenheim, em Oxfordshire. A sua infância foi marcada por distanciamento dos pais e por constante infelicidade. Por essa razão, sabe-se que Churchill nunca se destacou nos seus tempos de escola tendo tido, por isso, dificuldade na entrada para uma universidade de elite. Optou por se alistar nas forças armadas inglesas e, mais tarde, acabou a lançar-se numa carreira dupla de militar e jornalista.
Iniciou a sua presença ao serviço público em 1900, na Câmara dos Comuns, onde sofreu indecisões de partidos políticos, visto concordar com conceitos que ambos representavam.
Desde o seu início de carreira, demonstrou forte opinião perante as situações que defrontava e o seu primeiro destaque aconteceu durante a 1ª Guerra Mundial, quando um desastre militar se alastrou pelos aliados desta guerra e as visões de um futuro sorridente entraram em escassez. De forma menos feliz, Churchill esteve envolvido na expedição de Gallipoli, o que posteriormente, o fez estar fora da ribalta por alguns anos. Na década de 1930, enquanto os outros procuravam estratégias de apaziguamento com Hitler durante a 2ª Guerra Mundial, Churchill mostrava-se contra, tendo sido ridicularizado por rivais, que mais tarde lhe agradeceriam pela força. O grande destaque de Churchill deu-se aos 65 anos de idade, quando se tornou Primeiro-Ministro de Inglaterra, conduzindo o seu país desde os seus tempos mais tenebrosos até ao seu apogeu. Após estes grandes momentos, Churchill manteve-se em ação até ao seu leito-da-morte, e é visto hoje como um herói da pátria, um salvador da paz e um corajoso carismático.

Análise do perfil do líder

Um líder, para o ser, deve ter experiência, conhecimento, compromisso, paciência, e, o mais importante, deve ter a capacidade de negociação e trabalho em conjunto com outros, de forma a atingir o objetivo desejado. De facto, a pessoa não nasce um líder, mas torna-se um.
Salientam-se, à luz das teorias de liderança, três que melhor se adequam à biografia de Winston Churchill. A primeira diz respeito à Teoria de Liderança Transformacional, que afirma existir uma forte envolvência da identificação pessoal com o líder, a partilha de uma visão futura. E Churchill tem como uma das suas características principais, o foco na visão futura.
Na segunda e terceira análises, estão presentes as relações com a Teoria das Capacidades de Liderança e a Teoria de Liderança Situacional. A primeira, observa determinados traços de personalidade e atitudes que contribuem para a liderança, neste caso Churchill devido à sua necessidade máxima de lutar pelo que acredita e proteger os que necessitam de proteção, foi adquirindo certas características que o ampararam em momentos de decisão crítica, como um líder. Já a segunda teoria, também se identifica na biografia do líder, por se moldar a atuação e decisão quando confrontado com a determinada situação que enfrenta. De facto, ao lidar em primeira mão com decisões da 2ª Guerra Mundial, foi necessário ao Churchill adaptar-se à 2ª guerra, não se regendo como se tivesse a enfrentar o mesmo inimigo como na 1ª Guerra.
Segue-se o Managerial Grid Model, que envolve dois grandes fatores: o de “concern for people” que no caso do Churchill é elevado. Pois, tanto se importou com os soldados que poderiam ter sido enviados em vão para a guerra, como com o povo inglês que devia ser motivado a acreditar que iriam sair vitoriosos durante a mesma. No outro eixo do modelo está “concern for results”, que é também elevado. 
The Managerial Grid Model
Logo, Churchil determina-se ser um team manager. Adaptando o modelo, não a uma empresa, mas sim ao perfil de um líder político e um estratega, é fundamental direcionar o foco para os resultados, que neste caso seriam não ceder a liberdade de Inglaterra à Alemanha, mas também considerar se teriam soldados suficientes para suportar a força militar de Hitler. Por fim, analisa-se o estilo de liderança, que no caso de Churchill, se determina como Carismático. Churchill motiva, transmite compromisso e enaltece a importância de cada um para a obtenção das metas.

Visão crítica do livro

Daniel Smith, com a partilha desta obra, ofereceu conhecimento com base no estudo de um grande exemplo da história mundial, para que cada um dos seus leitores lidere os seus processos pessoais.Houve uma consistência do foco na história biográfica de Churchill, o que cativa quem aprecie momentos ou pessoas importantes na história de um país. Consolidando esse aspeto com a possibilidade de aprender e ficar cativado com certas interpretações comportamentais que o livro transmite, torna o resultado enriquecedor. É recomendável a sua leitura e partilha, uma vez que deve se transmitir o que de bom se aprende na vida.

Considerações finais

A palavra biografia, é um tipo de texto que narra a história da vida de alguém. Bio, na origem grega, diz respeito à vida, já grafia denomina a escrita. O livro “Pensar como Churchill” revelou ser de leitura entusiasmante e verdadeira, no qual o conhecimento da história de Churchill e a compreensão das razões que o levaram a escolher determinada direção, o decidir contra ou a favor de um partido, uma paixão e um casamento que muitas vezes foram desvalorizados e que mais tarde, se revelaram sair de amparo para quando certas direções não traziam alegria. Churchill viveu a vida, sem medo de arriscar e de errar. Foi criticado, elogiado e, mais tarde, visto como herói.
Na verdade, o confronto da Inglaterra com a Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial, fez salientar dois perfis distintos de líderes. Enquanto que Hitler, representava a opressão à liberdade, a exclusão de povos que eram emigrantes, a desacreditação de valores religiosos e sociais. Churchill lutou pela liberdade, pela força e motivação de todos, pela segurança e preservação da voz de cada individuo na sociedade. No entanto, e apesar de se encontrarem em patamares opostos, se Inglaterra tivesse perdido, Churchill não seria, nos dias de hoje, visto como um herói da pátria. A vitória facilitou o seu destaque mundial.
Esta leitura foi considerada uma experiência cativante, enriquecedora e bastante real, estes foram os aspetos mais valorizados ao longo da leitura. Saber que o Churchill, de facto, existiu e mostrou como tomou as decisões mais necessárias e importantes à história da humanidade. Salientam-se como características do Churchill as seguintes:
  • A coragem, por facilmente enfrentar os seus medos em função dos objetivos “O sucesso não é final, o fracasso não é fatal: é a coragem para continuar que conta”;
  • A Visão Futura, pela sua veia de estratega e por conseguir fazer um planeamento das ações necessárias que o levarão ao objetivo e pela antecipação do seu inimigo, em território de guerra. “Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas numa só palavra: liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança.”;
  • A Resiliência, pela sua capacidade de continuar, independentemente dos entraves que lhe apareçam, “Um pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade; um otimista vê uma oportunidade em cada dificuldade”;
  • A Comunicação, pelo seu interesse constante na leitura, escrita e partilha de factos e verdades que acreditava, “O que eu espero senhores, é que depois de um razoável período de discussão, todas as pessoas concordem comigo.”; e
  • A Perseverança, pela sua insistência e firmeza de ideias e de vontades, “Se está a passar pelo inferno, continue a caminhar!”.
Bibliografia

SMITH, Daniel. (2015) Pensar como Churchill – biografia inspiradora de um dos maiores estadistas e estrategas do século XX. VOGAI.

Citação

Magalhães, A. (2019). A inspiradora conquista de um líder: resenha crítica ao livro “pensar como Churchill” de Daniel Smith. Research oriented by PhD Patrícia Araújo within "Leadership and Negotiation" Curricular Unit and Presented at Ipam Leadership Challenge.3ª Ed. Porto: Portuguese Institute of Marketing and Administration.