20 novembro 2019

" O Líder Sem Título"- Book Review by Mariana Santos


“O sucesso não acontece apenas porque as estrelas se alinham.”
Book Review do livro " O líder Sem Título" por Mariana Santos





Com mais de 20 anos de experiência, dedica uma parte do seu tempo a palestras motivacionais a muitas organizações, como por exemplo o caso da Nike e da Microsoft. Através de um discurso impressionante e chamativo, expressa a mensagem que qualquer pessoa em qualquer papel pode ser um líder. É assim, uma figura muito mediática, visto que participa habitualmente em distintos programas de rádio e de televisão. Os seus livros são best-sellers internacionais e contam com mais de 5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, divulgados em mais de 50 idiomas. O seu percurso enquanto escritor deveu-se fundamentalmente ao desgaste que a sua profissão enquanto advogado acarretava na sua vida pessoal. Portanto, Sharma decidiu expressar as suas apreensões e descobrir um sentido para a vida através da escrita. Iniciou o seu percurso com a escrita do livro “MegaLiving”, um modelo para a gestão de stress, prosseguindo para publicação daquele que se tornou o seu best seller: “O Monge que vendeu o seu Ferrari”. Sucessivamente, Sharma publicou outros livros e constitui uma organização de treino em liderança “Sharma Leadership International”.   


“O sucesso não acontece apenas porque as estrelas se alinham” 
(Sharma, R,2010, p.57) 

“O líder sem título”, é um método de liderança revelado sob a forma de uma história. Sendo a personagem principal Blake Davis posteriormente acompanhado do seu memorável mentor Tommy Flinn e dos seus inconfundíveis quatro professores que vão ensinar o método LST (Liderar Sem Título). Este livro é essencialmente um livro de autoliderança e de automotivação. 

Após a morte dos pais de Blake, este sente-se desorientado e decide inscrever-se no exército. Assim, aos vinte e poucos anos é enviado para guerra, onde testemunhou a perda de muitos amigos e situações bastantes desagradáveis. Anos depois, com vinte e muitos anos, regressa à cidade onde sempre viveu, Nova Iorque. Nesta sua nova fase, começa a trabalhar numa livraria no Soho, contudo para Blake “O trabalho era apenas um veículo para queimar tempo em vez de ser uma bela oportunidade de iluminar outras pessoas e de criar uma organização melhor – e consequentemente, um mundo melhor”. Assim, numa segunda-feira de manhã, que parecia mais um dia comum, conhece na livraria aquele que viria a ser o seu grande mentor e iria transformar toda a sua vida- Tommy Flinn. Após algum tempo de conversa entre eles, Blake percebe que o Tommy era um grande amigo do seu pai e que este senhor, que se encontrava à sua frente iria ser o seu mentor. E assim foi. Tommy, um senhor idoso de setenta e sete anos tinha como missão antes de partir, ensinar a filosofia LST. Esta filosofia foi apresentada a Blake através do seu mentor e conjuntamente por quatro professores onde todos partilhavam da mesma ideia “Todos temos de demonstrar liderança, independentemente dos nossos títulos. Para ter sucesso, é preciso que todos se vejam como parte da equipa da liderança”.  

Após o encontro de Blake com cada professor que era apresentado por Tommy, este aprendia um dos princípios da filosofia LST através de uma sigla apresentada por cada professor. Assim, com a professora Anna, criada de quarto de um hotel muito reconhecido em Nova Iorque, aprendeu a siga “IMAGE” onde cada letra significa:

  •  Inovação: “A inovação derrota sempre a repetição do que possa ter funcionado no passado”. 
  •  Mestria: “Empenha-te em ser um mestre no que fazes, mestre do teu ofício- quer o teu ofício seja vender agrafadores ou educar crianças”. 
  •  Autenticidade:” Tens de ser quem és e dizer o que sentes, porque quem levar a mal não interessa e quem interessar não leva a mal”. 
  • Garra: “Não precisas de um título para ser líder, mas precisas de imensa resistência e garra”. 
  • Ética- “Nunca te enganes se fizeres o que está certo.” 

Após conhecer o seu segundo professor,  Ty Body - pentacampeão mundial de esqui alpino, aprende a sigla "SPARK", onde: 

  • Sinceridade: “Uma organização onde exista uma cultura em que toda a gente tem medo de falar com sinceridade é um sítio onde as pessoas vivem na fantasia e na ilusão”.
  •  Prioridades: “Foca-te no melhor e ignora tudo o resto”. 
  •  Adversidades Geram Oportunidades: “As crises comportam oportunidades excecionais”. 
  •  Responder, Não Reagir: “Tens de exibir calma perante a pressão”. 
  •  Kudos: “As pessoas sentem necessidade de reconhecimento”.  

Com o seu penúltimo professor, Jackson Chan, com uma carreira de excelência em Xangai numa grande organização e depois de reformado ter-se tornado jardineiro, percebe a importância da sigla "HUMAN", onde:  

  • Hábito de ajudar: “Tens até de te tornar na pessoa mais prestável que conheces.” 
  •  Ultra-audição: “Para a maioria das pessoas, os egos gritam tão alto que não conseguem escutar o que os outros lhes dizem”. 
  • Misturar: “Tens de te ligar aos teus colegas de equipa e de te relacionar com os teus clientes”. • Alegrar: “Se te divertires ao fazer um grande trabalho, irás reforçar a tua produtividade”. 
  • Nutrir: “Tens de nutrir os outros. Tens de ser incrivelmente simpático”. 


Por fim, Blake conhece o último princípio da filosofia LST no encontro com o quarto professor, Jet Brisley, massagista reconhecido e empresário de vários centros de Spa e bem-estar. Com ele aprende a sigla "SHINE", onde: 
  • Ser claro: “A liderança tem muito a ver com a compreensão clara das tuas condições e das tuas circunstâncias”. 
  • Honrar a saúde: “A boa saúde é como um poste de uma tenda; sustenta tudo o resto na tua vida”.
  • Inspiração: “Um dia em que não te sintas inspirado é um dia em que não viveste plenamente”. 
  • Não negligencies a Família: “Muitos dos bilionários passam grande parte das suas vidas a sós nas suas mansões espetaculares”. 
  • Eleva o teu Estilo de vida: “É muito humano e natural querer quer coisas boas. A chave do problema é possuíres as coisas que queres, sem deixar que elas te possuem a ti”.  


Em suma, após os quatro encontros, a vida de Blake transforma-se para melhor e este assume a liderança da sua vida onde “evolui de vítima para líder”.

Enquadramento com a matéria 

Através dos ensinamentos das cinco personagens para com o Blake, foi possível observar alguns dos conteúdos lecionados em aula. Nomeadamente, todos os professores e inclusive o mentor privilegiam uma liderança transformacional, onde a ética, a moral e os valores devem de estar bem conscientes em cada líder. Por sua vez, transmitem que os objetivos se orientam para o longo prazo sem comprometer os valores e princípios humanos. Adicionalmente beneficiam o potencial humano, ao reconhecer e desenvolver novos talentos.  
Outra matéria presente na leitura deste livro é a de Belbin Profiles, onde dos nove tipos de perfis, três estão bastantes presentes ao longo desta leitura. Veja-se o quadro seguinte, onde através de algumas siglas transmitidas pelos professores faz-se uma ligação com os perfis de Belbin.  

Belbin Profiles (3/9)
Co-ordinator
Ser claro, Prioridades, Garra.
Teamworker
Hábito de ajudar, Responder não Reagir, Nutrir.
Specialist
Mestria, Misturar, Prioridades.
Tabela 1- Belbin profiles. 

Posteriormente outra matéria enquadrada, e como seria de esperar, dado que é um livro também de automotivação, aborda ainda que de forma diferente, o modelo da hierarquia das necessidades de Maslow. 









 Figura 1 - Modelo da hierarquia das necessidades de Maslow. 

Os quatro professores, ao longo dos seus ensinamentos, expressam vivamente que o ser humano tem várias necessidades, desde as mais básicas. E assim, explicam que tais necessidades devem de ser satisfeitas, e evidenciam que a satisfação da necessidade de autorealização é a necessidade mais difícil de atingir, mas ao mesmo tempo a que origina uma maior felicidade. Por sua vez, é também a que demora mais tempo a ser atingida e muitos nunca chegam a conseguir. 

Justificação da escolha do livro e Opinião crítica 

Antes de mais, a escolha deste livro deveu-se sobretudo ao renome deste autor e à curiosidade que já algum tempo despertara em mim para ler um livro seu.

Assim, a unidade curricular Liderança e Negociação proporcionou que tal acontecesse!
Este livro de leitura fácil, conseguiu prender-me a cada parágrafo e a compreender que tenho de ser uma líder sem título em tudo o que faço, de modo a alcançar a longo prazo o sucesso.  E incrivelmente, tal como o objetivo do autor, produziu em mim enquanto leitura a necessidade de transmitir ao maior número de pessoas o que é isto de “Liderar Sem Título”, o que na minha perspetiva tudo se resumo a ser uma inspiração para os outros, a sentir-me realizada na minha carreira o que levará à minha felicidade pessoal e coletiva. E claro, não precisamos de um título para dar o nosso melhor nas funções que ao longo da vida vamos ter de desempenhar. Ao longo da leitura deste livro, foi fácil compreender que o autor domina várias áreas, pois apesar de se ter licenciado em direito, o domínio pelas áreas da economia e gestão estão muito presentes no seu livro. O que por sua vez, enquanto leitora ainda estimulou mais o meu interesse, visto que a minha licenciatura é em economia, o que se tornou uma mais valia, dado que me deparei com novas perspetivas e formas simples de entender certas temáticas. Para todos aqueles que precisam de motivação, de encontrar um novo caminho para as suas vidas, ou até mesmo para aqueles que apenas querem saber um pouco mais acerca de liderança este livro é a opção certa. E quanto ao autor Robin Sharma tornou-se uma inspiração para mim.

Sobre mim










Considero-me uma pessoa dinâmica, com um enorme gosto por aprender e uma entusiástica pela vida. O meu tempo livre é dedicado ao bem estar dos animais e à prática de desporto.  

Referências 

Sharma,R.(2010). O Líder Sem Título (9º Edição). Alfragide: Grupo Leya. 
Apontamentos lecionados em aula. 
https://www.robinsharma.com/about-robin 




A revolta conturbada de Wilhelm Reich em “Escuta, Zé Ninguém!” – Book Review by Rafaela Costa





Um Homem à Frente do seu Tempo – Wilhelm Reich


Wilhelm Reich
Quando se fala em psicanálise, todos estamos habituados a ouvir falar de Sigmund Freud. No entanto, o autor a ser abordado nesta resenha é Wilhelm Reich considerado, em tempos, um dos seus mais promissores discípulos. Estudou medicina na universidade de Viena, orientado sempre para Biologia, Sexologia e Psicanálise. Mas devido às suas convicções fortes e opiniões distintas dos restantes membros, em 1934, foi expulso da Associação Psicanalítica de Viena, desvinculando-se assim de Freud (BBC, 2019).
Desde muito jovem, começou a desenvolver as suas teorias, investigações, estudos e até invenções, sempre dotado de um grande pensamento crítico. Nascido na Áustria, passou por diversos países, nos quais assistiu a várias ditaduras e às duas grandes guerras, acabando por se estabelecer nos Estados Unidos da América, onde criou o seu próprio instituto, o Orgone Institute. Desenvolveu a vegetoterapia e a “energia vital do orgasmo”, escrevendo diversos livros sobre estas temáticas,  o fascismo e o carácter do ser humano (Britannica, 2019) . É nesta última temática que o livro em análise se enquadra.   
Sendo considerado por muitos um homem à frente do seu tempo, foi castigado e a morte na prisão, em 1957, foi a derradeira consequência de acusações que consistiam em fraude e abuso, relativamente às suas terapias, estudos e testes (BBC, 2019). A título de curiosidade,  antes deste trágico acontecimento, Einstein e Reich trabalharam conjuntamente no desenvolvimento de um acumulador de energia através de campos eletromagnéticos, que o autor utilizou para provar a existência do “orgone”, no âmbito dos estudos sobre o orgasmo, e a denominação da invenção foi “caixas sexuais(BBC, 2019).


Capa do livro: "Escuta, Zé Ninguém!"
“Escuta, Zé Ninguém! Não é um documento científico, mas humano” (W. Reich, 1978, p.15)

Quem é o Zé Ninguém?
É o homem comum, médio, que simboliza o curioso vulgar, delator, perseguidor, aquele que recusa amor, conhecimento e autoconhecimento como forma da sua condição medíocre (Batista, 2012).

“És tu o teu próprio Negreiro.”(W. Reich, 1978, p.24)
          “Nem sequer sabes para que serve uma biblioteca” (W. Reich, 1978, p.73)

O Zé Ninguém revela o empobrecimento da sociedade, a nível humano e intelectual. Todos, em algum ponto da vida, fomos este ser medíocre. Ele é o homem que finge ser ingénuo, mas é ardiloso e que diz em alto e bom som que defende o povo, só porque fica bem. No entanto, só se preocupa consigo próprio e com o retorno que terá – portanto, é um ser frio, preconceituoso e calculista. Aparece, ainda, no desabafo de Reich com Zé Ninguém, a Maria Ninguém - uma mulher que se despreza, que não se ama nem ama o próximo, que julga e se queixa do que a rodeia. É professora e não sabe nem gosta de ensinar, torturando os seus alunos, formatando mais homens comuns, com medo da mudança e sem pensamento crítico.

“Tu mesmo te desprezas Zé Ninguém!” (W. Reich, 1978, p.24)

Todos podem ser o Zé Ninguém, desde políticos que não defendem o povo, médicos que não ouvem os pacientes, professores que não gostam de ensinar, ao padeiro, pedreiro ou o mero analfabeto. Não existe uma categoria que feche o Zé Ninguém, a não ser as suas atitudes e pensamentos. É um ser humano que rejeita a liberdade de escolha e pensamento (Rodrigues, 2019).

“Foi-te dado a escolher entre a constituição genuinamente democrática de Lenine e a ditadura de Estaline – escolheste a ditadura de Estaline(W. Reich, 1978, p.62)

Lenine era um líder liberal influenciado pelas ideias de Karl Marx, que defendia o povo e os ideais de igualdade. O mesmo Zé Ninguém assassinou Lincoln, um líder democrático, que aboliu a escravatura; e, por meia dúzia de tostões, delatou e entregou judeus, para serem enviados para os campos de concentração de Hitler. É o soldado que vai para a guerra sem saber porquê e tampouco se dá ao trabalho de perguntar, é quem lançou as bombas de Hiroxima e Nagasáqui, sem pensar nas consequências. É o homem que julga uma mãe por deixar a filha levar um namorado para casa e, em simultâneo, goza e humilha o amigo que é homossexual. É, ainda, o homem que entregou Galileu à inquisição e deixou Marx morrer à fome nas ruas.

“Assassinaste-o Zé Ninguém, com a tua indolência, a tua ignorância, o teu medo de esperança(W.Reich, 1978, p.74)

Como pode o Zé Ninguém mudar?


Reich, ao longo de todo o livro, critica e ataca o Zé Ninguém, tentando motivá-lo e incentivá-lo a mudar, a ter consciência, pensamento crítico e a realizar uma introspeção de autoconhecimento, procurando através das emoções de infelicidade, frustração, depressão e preocupação, leva-lo a utilizar a sua inteligência emocional para transformar os seus sentimentos, defeitos e fraquezas nos sonhos e objetivos reais que o preenchem e lhe trazem felicidade.

Tens medo de olhar para ti próprio, tens medo da crítica, tal como tens medo do poder que te prometem e não saberias usar. Nem te atreves a pensar que poderias ser diferente: livre em vez de deprimido, direto em vez de cauteloso, amado às claras e não como um ladrão da noite” (W.Reich, 1978, p.22)

“Todo o grande homem foi outrora um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza no seu modo de pensar e agir.”(W.Reich, 1978, p. 23)

“E, acima de tudo, procura pensar corretamente, ouve a tua voz interior (…). Sê tu próprio. (…) Conhece-te a ti próprio (…).” (W.Reich, 1978, p.65)

E agora, qual será a minha opinião?


A primeira pessoa que nunca esteve no lugar do Zé Ninguém que se acuse! Ainda que não de forma intencional, todos nós já fomos este Homem. Daí a minha escolha para esta Book Review, já que me identifiquei com o pensamento do autor e com a sua revolta. Basta olhar em volta para que encontremos um mundo repleto de “Zé Ninguém”, sejam colegas, amigos, políticos ou mesmo os médicos que nos atendem nos hospitais. Se espreitarmos para o nosso cantinho do smartphone, seja nas redes sociais, nas notícias ou nos media, é fácil perceber o conteúdo falso que nos rodeia, as falsas palavras, ideais e moralismos com que somos bombardeados todos os dias e em todo o lado (Sérgio, 2012).  
Achei este livro muito rico no que respeita ao autoconhecimento e ao espírito crítico. É um incentivo à introspeção, à análise do que nos rodeia e dos nossos valores e desejos. É um incentivo ao pensamento dos “Porquês” desta vida e à cultura, ao não ter medo de assumir que não se sabe e que se vai procurar, e, nesse caso, aprender, reaprender e descobrir novos fatores importantes.
Subentende-se também um forte recuo histórico até às grandes ditaduras, aos assassinatos de políticos justos e estudiosos à frente do seu tempo, pessoas que tiveram a coragem de ser diferentes e que se destacaram a tentar mostrá-lo.
Recomendo a leitura atenta, na companhia de um bloco de notas, pois, para mim, este livro foi um desafio, e escrever sobre ele, um desafio ainda maior, por sentir que não lhe consigo fazer justiça. Considero Reich um visionário, quer nos seus estudos, quer nas suas obras, visto conseguir compreender as pessoas, estudá-las e descrever de uma forma tão crua a sua verdadeira essência.






Autora: Rafaela Guerra da Costa
Contacto: rafaelaguerracosta@gmail.com
Perfil: Pró-ativa, dinâmica e cheia de vontade de aprender. Licenciada em Contabilidade e Administração e a frequentar o Mestrado em Gestão de Marketing no IPAM. Virada para novidade, mas ao mesmo tempo apaixonada por livros e pintura.  






Referências:

Batista, L. de O. S. (2012). O complexo de zé-ninguém e a educação em W. Reich (No. 2236–9767). https://doi.org/ttp://dx.doi.org/10.15600/2236-9767/impulso.v22n53p93-107
Britannica, T. E. of E. (2019). Wilhelm Reich. Retrieved November 5, 2019, from Encyclopædia Britannica, inc. website: https://www.britannica.com/biography/Wilhelm-Reich
Nascimento, E. (2016). Literatura: Escuta, Zé Ninguém! – Wilhelm Reich. Retrieved November 6, 2019, from Gabinete Cultural website: http://cabinecultural.com/2016/04/14/literatura-escuta-ze-ninguem-wilhelm-reich/
Rodrigues, L. (2019). Escuta Zé Ninguém! Retrieved November 10, 2019, from JM Madeira website: https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/2643/Escuta_Ze_Ninguem
Sérgio, M. (2012). Escuta, Zé Ninguém! Retrieved November 8, 2019, from A Página da Educação website: https://www.apagina.pt/?aba=7&cat=557&doc=14587&mid=2
Wilhelm Reich: Os controversos tratamentos sexuais de um dos psicanalistas mais radicais da história. (2019). Retrieved October 20, 2019, from BBC website: https://www.bbc.com/portuguese/geral-47407358
Wilhelm Reich. (1978). Escuta, Zé Ninguém! (9th ed.; P. D. Quixote, Ed.). Lisboa.
Wilhelm Reich “The German and Russian state apparatuses grew out of despotism...” (2019). Retrieved October 30, 2019, from Reddit website: https://www.reddit.com/r/QuotesPorn/comments/b5tzy8/wilhelm_reich_the_german_and_russian_state/


Referências para citação:

Costa, R. (2019). A revolta conturbada de Wilhelm Reich em “Escuta, Zé Ninguém!” -Book Review. Research oriented by PhD Patrícia Araújo within "Leadership and Negotiation" Curricular Unit and Presented at Ipam Leadership Challenge.4ª Ed. Porto: Portuguese Institute of Marketing and Administration. Available at:


16 novembro 2019

"Mandela, meu prisioneiro, meu amigo", uma book review por Marta Videira


Apresentação do Livro e Descrição da Obra




“Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”, foi o livro que selecionei para leitura e realização do presente trabalho. Conhecendo a história de vida e luta de Nelson Mandela pelos direitos do seu povo contra o apartheid, optei por aprofundar os meus conhecimentos sobre a sua causa, capacidade de liderança e sobretudo vida durante um governo que instigava a segregação racial.
  
O livro foi escrito por Christo Brand em conjunto com a jornalista Barbara Jones, sendo esta edição comemorativa do centenário de Nelson Mandela, no ano de 2018.
Christo Brand, o autor principal do livro e narrador da história nasceu no interior da África do Sul, na cultura africânder rodeado por pessoas de cor branca, mestiça e de cor negra. Optou por ser guarda prisional a fim de fugir à vida militar, aos 19 anos de idade.
Rolihiahia Dalibhunga Mandela, era filho de um chefe tribal e foi criado numa aldeia de cultura xhosa. Estou Direito, na Universidade de Fort Hare, a primeira universidade destinada a negros para se poder dedicar à luta contra o sistema que perseguia os mestiços e negros e dava superioridade aos brancos.
As suas vidas cruzam-se então em junho de 1964 na secção B da prisão de Robben Island, na África do Sul, quando Nelson Mandela foi condenado por terrorismo no Processo de Rivónia, a prisão perpétua, juntamente com 7 companheiros do Congresso Nacional Africano (partido ANC), do qual Mandela era o comandante-chefe do braço armado.
É neste início de vida na prisão, quando é atribuída a secção B a Brand, onde se encontravam os prisioneiros de Rivónia que se começa a desenvolver aquela que vem a ser uma grande, embora improvável, amizade entre o prisioneiro e o guarda.
Foi a educação de ambos que fez que com que tal amizade e confiança se desenvolvesse, ajudando ambos a suportar os difíceis 27 anos vividos nas 3 prisões por onde passaram e que viesse a durar para além dos dias de cela.


A narrativa descreve então a vida de Nelson Mandela por quem o conheceu atrás das grades e apresenta uma perspetiva que na altura não era conhecida do mundo, sendo que o mundo nunca desistiu de lutar pela sua libertação. É possível perceber a capacidade de auto-liderança, a continua vontade de aprendizagem e exercício da mente e do corpo, a fim de que se continuasse a sentir capaz de lutar e defender a sua causa.
No ano de 1990 Nelson Mandela é libertado, saindo pelo próprio pé, acompanhado pela mulher, Winnie. Três anos depois, assina a Constituição sul-africana que pôs fim a mais de 30 anos de dominação política da minoria branca. Nesse mesmo ano, Mandela recebe o Prémio Nobel da Paz.
Em 1994, é eleito Presidente da África do Sul, cargo que assume até ao ano de 1999. Entre os mais de 250 prémios com que foi galardoado, no ano de 2006 Nelson Mandela recebe o prémio da Amnistia Internacional pela sua luta pelos direitos humanos.
Mandela falece em 2013 em Joanesburgo e tem um capítulo neste livro dedicado à sua perda, por Christo Brand.

Interligação da obra com os temas abordados na unidade curricular de Liderança e Negociação


Tendo em conta as diversas matérias abordadas em contexto de sala de aula, na unidade curricular de Liderança e Negociação, é possível interligar o livro com algumas dessas mesmas matérias, assim como analisar com uma visão crítica o perfil do personagem principal Nelson Mandela, como líder.
Como referido anteriormente, o livro é contado na perspetiva do guarda prisional, que sendo branco, desde que começou a viver na cidade sempre foi instigado pelo governo à segregação racial e informado pelos seus superiores que os prisioneiros de Rivónia eram terroristas. Desta forma, é no surgimento da amizade improvável que é possível começar a perceber a capacidade de liderança que Nelson Mandela apresentava.
De entre os diversos estilos de liderança que vieram a ser definidos ao longo dos anos, é possível relacionar o perfil de Nelson Mandela com o Estilo de Liderança Carismático, na medida em que este inspirava os seus seguidores pelo seu carisma e personalidade, levando inclusivamente os seus ditos “inimigos” a pactuar com os seus pedidos enquanto prisioneiro.
É também possível comparar o perfil de Nelson Mandela com a teoria surgida na década de 70 da Liderança Transacional (Transactional Leadership Theory) (Amanchukwu, Stanley, & Ololube, 2015). Mandela, mesmo dentro da prisão conseguiu desenvolver e consolidar uma relação de confiança com os seus seguidores. Essa confiança, levou ao aumento da motivação de ambas as partes (líder e liderados), na luta pelos seus direitos. Tal como apresentado nesta mesma teoria, Mandela ficou conhecido por ser uma pessoa com um carisma e personalidade bem definidos e que estimava e priorizava as suas relações com os seus seguidores (Zaker, Nawaz, & Khan, 2016), como tal foi fácil para a comunidade mundial identificar-se com o seu propósito e objetivos.
Pode também rever-se, no líder em análise, a Teorida das Capacidades (Skills Theory) (Amanchukwu et al., 2015), uma vez que Nelson Mandela sempre privilegiou o estudo e o conhecimento, tendo obtido o grau de advogado pela Universidade de Fort Hare ( a primeira universidade para negros) e tendo feito, mesmo encarcerado, vários estudos e exames na faculdade e escrito diversas cartas, tanto à família e companheiros como reclamações e pedidos às chefias da prisão a fim de treinar a sua escrita . O contínuo auto-cultivo e gosto pelo estudo, permitiu-lhe aprender a língua afrikaner (Mandela falava a língua xhosa) e manter-se são dentro da prisão, desenvolvendo o seu intelecto.
Por fim, no decorrer do livro, vários são os momentos onde é possível identificar um Estilo de Liderança Democrático/ Participativo (Amanchukwu et al., 2015), na medida em que Nelson Mandela reunia-se frequentemente com o seu grupo de companheiros, também eles condenados e presos, e obtinha informações do mundo exterior a fim de poder, em conjunto, planificar uma estratégia flexível, tendo em conta o bem geral da sua comunidade.
Como líder e mesmo como ser humano, Mandela revelou, mesmo nos momentos de maior fragilidade, uma maturidade psicológica, elevando conhecimento acumulado e capacidade para aprender, tendo também uma forte e desenvolvida capacidade de negociação, fazendo parte da luta contra a segregação racial e conseguindo a libertação de todos os presos políticos.
Por fim, é possível ainda concluir, tendo em conta a história de vida do personagem principal do livro, que Mandela era ainda um líder ético, autêntico, servo, praticando a Super Liderança, abordada nas aulas desta unidade curricular. Conseguiu motivar milhões de pessoas a unirem-se pela causa do seu povo, incluindo em diversos países europeus. Ficou conhecido como o maior líder da África do Sul e um dos maiores líderes mundiais, tendo recebido assumido o cargo como Presidente da África do Sul entre 1994 e 1999 e tendo recebido mais de 250 prémios pela sua missão, entre os quais o Prémio Nobel da Paz em 1993.

Opinião pessoal acerca do livro abordado


Escolhi este livro por sugestão do meu irmão, que mo aconselhou por se tratar de uma história inspiradora e por ter uma narrativa de fácil compreensão, muito envolvente que que acaba por nos transportar para a cela de Mandela e para os anos do apartheid.
Como já apresentado o livro narra a difícil vida e luta de Nelson Mandela pelos direitos do seu povo em tempos de segregação racial.
Do meu ponto de vista, a história é narrada de uma forma muito minuciosa, com pormenores muito vívidos o que nos permite criar uma imagem mental da realidade da altura, mesmo não tendo vivido esses anos. O que mais me toca no livro é o facto de, para além de ser uma história real, se ter passado não muitos anos atrás, o que me leva a pensar sobre como é que sociedade já tão desenvolvida ainda apelava ao ódio. Mesmo após ter terminado o livro, penso diversas vezes de como esta realidade foi tão próxima aos dias de hoje e de como um homem sem saber o que se passava no mundo, conseguiu manter-se convicto dos seus ideais e lutar pelo seu povo.
O retrato da amizade entre Mandela e Brand, mesmo sendo proibida por lei e passando por situações bastante adversas como a morte do filho de Mandela e a morte de um dos filhos de Brand, estimulam a reflexão sobre a essência do ser humano, a bondade que este pode demonstrar mesmo quando é incitado a promover e a viver o ódio. Esta amizade que veio a durar até à morte de Mandela é bastante tocante pela bonita forma que foi sendo descrita ao longo dos vários capítulos.
Concluindo esta resenha crítica, destaco a minha passagem preferida de todo o livro, não só pelo momento em si ter sido de elevada importância para a história da África do Sul e do mundo, como pela forma sentimental que Brand o descreve.  Essa passagem é o momento de libertação de Nelson Mandela, no ano de 1990 da prisão de Victor Verster. Mandela sai pelo próprio pé, acompanhado pela esposa Winnie deixando a multidão que o aguardava em êxtase. O momento foi registado e transmitido em todo o mundo.
Deixo o link do momento histórico:
  
A força e auto-liderança de Nelson Mandela levaram ao fim da segregação racial na África do Sul e são descritas de forma intensa, o que me fez devorar o livro e classificá-lo como um dos melhores que já li.

Breve apresentação minha


Sou Marta Videira, tenho 27 anos e nasci no Porto. Encontro-me a frequentar o Mestrado em Gestão de Marketing e sempre tive um certo gosto pela leitura, sendo o último livro que li o “Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”, no contexto da unidade curricular de Liderança e Negociação.
Contacto: martatvideira@hotmail.com




Referências


Christo Brand, Barbara Jones (2014). “Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo”
Amanchukwu, R. N., Stanley, G. J., & Ololube, N. P. (2015). A Review of Leadership Theories, Principles and Styles and Their Relevance to Educational Management. Management. https://doi.org/10.5923/j.mm.20150501.02
Zaker, A. K., Nawaz, A., & Khan, I. (2016). Leadership Theories and Styles: A Literature Review. Journal of Resources Development and Management. https://doi.org/10.1007/978-3-319-11107-0_4
Libertação de Nelson Mandela https://www.youtube.com/watch?v=ei12AeL3cKU

13 novembro 2019

4ª Edição IPam Leadearship Challenge - Liderar para a Felicidade Organizacional

O programa detalhado da 4ª Edição IPam Leadearship Challenge - Liderar para a Felicidade Organizacional, já está disponível.
Descarregue abaixo a Imagem!