
TAL BEM-SHAHAR
Nascido em 1970, é um professor americano
e israelense, escritor, consultor na universidade de Harvard, onde leciona o
mais concorrido curso de Psicologia Positiva, bem como um popular curso de
Psicologia da Liderança.
Ben-Shahar desenvolveu a sua carreira
acadêmica em Harvard onde se formou em Psicologia e Filosofia, e onde se
doutorou em Comportamento Organizacional.
Veterano das Forças Armadas israelitas,
trabalha na organização pacifista David Project, é consultor de várias empresas
multinacionais e dá formação em áreas como felicidade, autoestima, definição de
objetivos e liderança.
É o autor dos best-seller internacionais
“Mais feliz” e “Ser feliz” que foram traduzidos para 25 idiomas. Em 2011
cofundou a Potentialife com a Augus Ridgway, empresa
que fornece programas de liderança, focando-se na mudança comportamental para
as organizações, escolas e organizações desportivas por todo mundo.
Aprenda
a ser feliz
Este não se trata
apenas de um livro dito meramente normal, mas sim de um curso de aprendizagem e
escalada para quem procura resposta sobre uma das perguntas mais complexas:
Nós podemos aprender a ser felizes? Sim, sem dúvida. De acordo com o
professor Dr. Tal Ben-Shahar a felicidade é uma competência que pode ser
aprendida.
Ben-Shahar
apresenta duas ideias essenciais na sua obra. A primeira mostra a sua escalada,
a sua aprendizagem em busca da felicidade e de uma vida mais significativa,
narrando a sua história pessoal e apresentando o seu próprio conceito sobre a
felicidade. Demostra igualmente como é possível combinar felicidade: prazer (benefício
presente) + significado (benefício futuro) que as nossas atividades nos
proporcionam.
A segunda parte
do livro Ben-Shahar foca-se em felicidade que advém de práticas, felicidades
adquiridas nas escolas, no trabalho e nas inter-relações.
A obra assenta
em três ideias fundamentais: O que é a Felicidade, a Felicidade Aplicada e
Meditações sobre a Felicidade. Ben-Shahar combina engenhosamente pesquisas
acadêmicas, estudos científicos e aconselhamentos que promovem uma série de
princípios e valores que qualquer pessoa pode adotar na sua vida diária.
O
que é a Felicidade
Segundo
Ben-Shahar, este define a felicidade como “a experiência global do prazer e do
significado”.
Ele utiliza um
modelo de hambúrguer para descrever as pessoas - os arquétipos - e seus padrões
distintos de atitudes e comportamentos em busca da felicidade (moeda final).
- Hambúrguer de alimento é o hedonista - apenas a jornada na escalada ao pico da montanha é importante, o benefício presente, busca o prazer que para ele é a finalidade da vida a curto prazo. Evita a dor e torna-se escravo do presente.
- Hambúrguer vegetariano é da competição desenfreada - não consegue aproveitar a jornada na escalada ao pico da montanha, benefício futuro. É a dor a curto prazo seguida de satisfação a longo prazo. São incapazes de desfrutar o que estão a fazer com uma persistente crença de que ao chegar a um destino certo serão felizes.
- Pior Hambúrguer é o niilista - desistiu da jornada e de alcançar o pico da montanha que era o seu destino - prejuízo presente e futuro. É a dor a curto e longo prazo. Está resignado à crença de que a vida não tem sentido, fortemente ligado ao passado, não importa o que faça, pois nada o poderá levar a alcançar a felicidade.
- Hambúrguer ideal é o que cria a felicidade - este aproveita e desfruta toda a sua jornada até alcançar o seu objetivo que é chegar ao pico da montanha, pois ambos tem valor - benefício presente e futuro - que é um destino que consideramos valioso, ou seja, a felicidade é a experiência de escalar a montanha até ao seu topo.
Uma pessoa dita
feliz desfruta de emoções positivas e o seu prazer está ligado a experiências
que advêm dessas emoções. Vive sempre focada no benefício presente, no aqui e
agora, tendo a noção de propósitos, do benefício futuro que resulta das suas
ações.
No entanto,
necessitamos que as causas dessas emoções positivas sejam significativas nas
nossas vidas, ou seja, a existência de um sentido de propósito, um efeito real
no mundo e não apenas sentir.
Porém, o que não conseguimos reconhecer é que para encontrar este sentido de propósito, é preciso mais do que estabelecer metas, e sim estabelecer metas para nós próprios que sejam intrinsecamente significativas.
Porém, o que não conseguimos reconhecer é que para encontrar este sentido de propósito, é preciso mais do que estabelecer metas, e sim estabelecer metas para nós próprios que sejam intrinsecamente significativas.
Assim como o
prazer não é suficiente para que nos sintamos felizes, ter noção de propósito
também não chega. É quase impossível manter ações a longo prazo, independente
do significado que lhe atribuímos, sem sentir prazer emocional no presente.
A perceção da
felicidade designada no livro como “moeda final”, não o ouro ou prestígio, guia
a nossa vida em torno de como podemos encontrar mais prazer e significado ao
invés de adquirir mais dinheiro e bens materiais.
Quando as nossas
experiências positivas (renda), superam as negativas (despesas), obtemos o
chamado lucro. Quando ocorre o inverso, o resultado que obtemos é uma falência
emocional e consequentemente um sentido de incapacidade.
A
Felicidade Aplicada
Tal Ben-Shahar
refere que é necessário concentrarmo-nos em coisas práticas que promovem a
felicidade na educação, no trabalho e nos nossos relacionamentos.
Na educação,
Ben-Shahar ilustra dois modelos de como podemos motivar os alunos, e sugere um
modelo de amor para uma aprendizagem mais agradável e com maior sucesso.
O atual modelo
aplicado em todas as instituições de ensino denomina-se Asfixia e demonstra
claramente que os alunos não gostam de estudar, pois são asfixiados por
trabalhos que não apreciam e as suas motivações estão ligadas apenas ao receio
de fracassar.
Afeto é um
modelo apresentado por Ben-Shahar, que defende que oferecer uma maneira
diferente de pensar sobre o ensino, pode conduzir às experiências dos
benefícios presentes e no futuro, bem como ao prazer e ao significado.
Em relação ao
trabalho, o autor aborda o porquê de muitas pessoas trabalharem em atividades
que não lhes proporcionam prazer e significado. Temos medo de mudar e procurar
um novo desafio, pois estabelecemos baixos padrões para nós mesmos em relação à
moeda final, ou seja, em relação à nossa própria felicidade.
Para implementar a mudança nas nossas vidas é
imprescindível termos coragem, pois a “coragem não é não ter medo, é ter medo e
mesmo assim ir em frente”.
Trabalhar mais
feliz faz com que conquistemos maior prazer e mais significado.
Nos nossos
relacionamentos - sendo esta a área mais complexa das nossas vidas - Ben-Shahar
fala sobre o verdadeiro significado de amar e ser amado incondicionalmente.
Dedicar-se aos
relacionamentos mais íntimos demonstra um investimento no nosso tempo e na
nossa energia para relações próximas e assertivamente orientadas. Já as
relações que nos causam sentimentos e pontos negativos nas nossas vidas,
devemos ter coragem de deixar partir e permitir-nos encontrar a relação que nos
proporciona o bem-estar.
Quando passamos tempo de qualidade isso aumenta a nossa satisfação pela vida e proporciona-nos um maior sentimento de felicidade.
Quando passamos tempo de qualidade isso aumenta a nossa satisfação pela vida e proporciona-nos um maior sentimento de felicidade.
Conseguimos
sempre melhorar as nossas relações de forma a satisfazer não só essa relação,
como também contribuir benevolentemente para o benefício do outro em prol da
nossa felicidade, e não focar-se no benefício do outro para a sua própria
felicidade.
No entanto a
felicidade dos outros também é importante para nós, pois ao ajudarmos os outros
a serem felizes contribuímos para a nossa própria felicidade.
Meditações
sobre a Felicidade
No que diz
respeito às meditações sobre a felicidade, Tal Ben-Shahar apresenta reflexões sobre
a natureza da felicidade e a sua importância nas nossas vidas, sugerindo que
criemos rituais para ela.
Por exemplo, os
melhores artistas e atletas têm rituais diários para treinar e gerir suas
energias e comportamentos.

O segredo passa por incluir um ou dois rituais, fazer isso um hábito
e depois aumentar lentamente.
Saber agradecer
as coisas que nos fazem bem, torna-nos ainda mais felizes.
Aqueles que
aplicam pelo menos três a cinco coisas pelas quais são gratas, e que realmente
lhes tragam um sentimento de felicidade, têm níveis mais altos de bem-estar
emocional e físico.
As pessoas mais
felizes e sucedidas são aquelas que fazem o que tem vontade e paixão, seguindo
sempre o seu coração.
Como defende
Abraham Maslow “A melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa é ser pago para
fazer o que apaixonadamente ama fazer.”
Proximidade
à matéria Disciplina Negociação e Liderança
Durante a
leitura da obra foi possível constatar que alguns dos temas abordados vão ao
encontro da matéria leccionada na unidade curricular de Negociação e Liderança.
Por exemplo, o autor aborda o aumento, por toda a sociedade, do predomínio da
falência emocional, o “desespero avassalador” - o niilista - a noção de sermos
incapazes de ultrapassar este estado emocional empobrecido, a nível individual
e global. Estes são conceitos defendidos por Daniel Goleman relativamente à
inteligência emocional.
De igual forma,
as necessidades humanas de Maslow estão bem retratadas uma vez que o autor
refere que, “uma pessoa pode
escolher sempre um estilo de vida a menos que se atreva a ouvir-se a si
própria, ao seu próprio Eu, em cada momento da sua vida”.
As funções de
liderança por Kotter, motivação extrínseca - referente a fatores externos do
indivíduo, fama, fortuna ou o poder - e
intrínseca refere-se a fatores internos, o prazer e significado, a moeda final
- que é a felicidade - autodisciplina, automotivação e autoliderança, são os
pilares do livro, onde o autor Tal Ben-Shahar foca-se em ajudar os seus
leitores na procura da resposta para a derradeira pergunta: “O que é uma vida
feliz e que valha a pena ser vivida?”.
O autor sugere no seu livro várias técnicas, bem como exercícios práticos para aplicarmos diariamente na nossa vida, de forma a entender, trabalhar e alcançar aquilo a que nos propomos e é realmente importante para nós, aumentando assim o nosso nível de felicidade.
Reflexão
final

Quanto mais
preenchermos os nossos dias com experiências que realmente têm grande
significado para nós, tornamo-nos mais felizes.
É fundamental
avaliarmos o nosso quotidiano e gastar o nosso tempo com coisas de que
realmente gostamos e que agregue valor à nossa vida. É necessário descobrir os
valores intrínsecos que são mais importantes para nós e segui-los com o
coração.
Devemos criar
rituais significativos, como o diário de gratidão, por exemplo, que nos
proporcione mais prazer, viver e apreciar o momento presente. Apreciar a nossa
jornada na escalada ao pico da montanha, pois a nossa felicidade está na
experiência da subida em direção ao objetivo que é o topo da montanha.
Comece uma nova experiência, desenvolva-a e crie uma nova história.
Comece uma nova experiência, desenvolva-a e crie uma nova história.
MARCIA NASCIMENTO
“Com um relacionamento interpessoal
forte, humilde e dinâmico, estou sempre atenta e disponível para enfrentar os
desafios. Considero-me uma pessoa alegre e muito positiva, vivo a vida
intensamente.
Para mim o sorriso é arma mais poderosa
do mundo sendo, capaz de quebrar barreiras”.
Para citar este texto, utilize o seguinte modelo de referência:
Nascimento, M. (2019). Escalar para Felicidade. Research oriented by PhD Patrícia Araújo within “Leadership and Negotiation”; Curricular Unit and Presented at Ipam Leadership Challenge.3ª Ed. Porto: Portuguese Institute of Marketing and Administration. Available at: https://ipamleadershipchallenge.blogspot.com/2019/01/book-review-escalar-para-felicidade-tal.html
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